sábado, 28 de Fevereiro de 2009

A felicidade só é real quando é partilhada


O titulo para o artigo de hoje veio de um novo filme, realizado pelo Sean Penn de nome "O lado selvagem". Ainda não vi o filme e adorava ler o livro que levou o Sean Penn a querer fazer o filme, mas vi um programa onde ele foi entrevistado, assim como o actor principal, o autor do livro e uma irmã da personagem retratada no filme (o livro e o filme são baseados 100% em factos reais, eu diria na história de uma vida de um jovem americano). Embora sem ter ainda visto o filme, fiquei com a impressão que a chave do filme, a mensagem que nos quer fazer passar é o titulo do artigo de hoje. E com isto vi o tema para o artigo que vou falar a seguir.

Na 1ª parte do artigo irei falar um pouco do filme, da história e na 2ª parte irei dar minha visão do tema de hoje.

Into the wild

Como disse este filme realizado por Sean Penn e tendo como actor principal (e praticamente único no filme, visto que em quase todas as cenas o actor está sozinho, apenas com a companhia do autocarro que usou durante a viagem toda) Emile Hirsch, foi baseado totalmente numa história verídica baseada num "bestseller" literário de Jon Krakauer.

Fala de um jovem americano de nome Christopher McCandless, que após se graduar na Universidade de Emory em 1992, estudante de topo e grande atleta, com perspectivas futuras extremamente boas, decide abandonar tudo e todos, doar todas as poupanças que tinha feito (cerca de 24 mil dólares) `caridade, e partir para uma viagem até ao Alasca.

Durante essa viagem, McCandless vai encontrando uma série de personagens que acabam dando forma e sentido à sua própria vida.

Durante a sua viagem ele deambula por muitos sítios, chegando a passar pelo México. Os meios de transporte foram os típicos nestas situações. Tanto ia a pé, como à boleia e até mesmo de canoa e limitava-se a sobreviver com o que ia arranjando em empregos temporários que iam aparecendo.

Era uma pessoa desconfiada do mundo e das pessoas, pelo que optava por evitar contactos prolongados com elas, evitava deixar-se afeiçoar a elas em parte fruto das influências que obteve nas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau.

Sua ambição e aquele que era o seu grande objectivo nesta viagem, era chegar ao Alasca, local onde iria poder estar bem longe do homem e em comunhão consigo próprio e com a natureza, no seu estado mais puro e selvagem.

Uma das características mais marcantes deste jovem era o facto de ele não querer e não ligar minimamente ao que as pessoas pudessem pensar dele. Para ele só a opinião que ele próprio tinha contava, característica que eu nunca encontrei em mais ninguém, o que por si só o destaca do homem comum.

Mas o mais estranho é que mesmo tendo este objectivo, McCandless era uma pessoa simpática e afável para as pessoas que encontrava, apenas não se deixava estar muito tempo no mesmo sitio e lá está não se deixava afeiçoar a ninguém. Apesar de ser um jovem cheio de força, tinha também o seu quê de triste.


A mensagem de Hircsh


Existe uma mensagem forte neste filme, para além daquela que acima mencionei. Á medida que as coisas evoluem, vamos-nos deixando infectar pelo comodismo, por aquilo que eu chamo de "confort zone". Deixámos de lutar pelas coisas, de optar pela via mais difícil, e limitamos-nos a fazer o mínimo possível, evitando assim sair da zona de conforto.

O grande feito de McCandless nesta sua aventura, é que ele abomina completamente essa zona de conforto, acha que a vida é muito mais que isso, e dai ter optado por este viagem, tendo o cuidado de não planear rigorosamente nada. Ele não levou um mapa, ele não levou dinheiro, ele simplesmente sabia qual era o objectivo final e a aventura seria como chegar lá e descobrir essa resposta à medida que a viagem se fosse desenrolando.

Ele considerava que se soubesse como ia lá chegar, se tomasse providências no sentido de ter mais hipóteses de chegar lá, que já não seria uma aventura. No fim foi isso que acabou por levar à sua morte, mas a mensagem que deixa é muito forte.

É uma daquelas histórias que para mim nos faz ficar melhores pessoas, mesmo que por pouco tempo, que nos faz pensar nos nossos problemas, naquilo que nos apoquenta e que nos faz ver que afinal aquilo de que nos queixámos não é tão mau ou tão grave assim, que nos faz descer à terra.

No nosso dia a dia e com o passar deles, quase que entrámos em modo automático, fazemos basicamente as mesmas coisas, semana após semana e como nem nos lembrámos de parar, de dar um passo atrás e respirar, pensar, analisar o que estamos a fazer entrámos naquela "confort zone" e nem nos apercebemos disso.

Recomendo vivamente ver este filme, eu mal possa é o que irei fazer.


A felicidade só é real quando é parilhada

No fim de uma história destas, sentimos-nos melhor, damos mais valor às pessoas que nos são especiais e no que toca a felicidade, para que este seja real, precisámos de ter com quem a partilhar.

Todos nós queremos ser felizes, apenas varia aquilo que nos faz feliz, isso nem vale a pena ser objecto de discussão. Cada um de nós tem a sua própria definição de felicidade.

Tanto pode ser em pequenas coisas como em grandes, o importante no meio disso tudo, é ter com quem partilhar essa felicidade. As sensações que essa partilha traz, por vezes são mais vastas e fortes que a felicidade em si, porque temos alguém que fica feliz por nós, que goza connosco esses momentos, que nos faz dar valor a esse estado de espírito e ao que foi feito, ao que foi conquistado e que nos faz dar graças por termos com quem a partilhar, e por vemos alguém feliz por nós.

Ao dizer isto não estou a falar em partilhar nossos momentos de felicidade com uma pessoa apenas, claro que não. Pode ser com nosso companheiro/a, com nossos amigos, com nossos colegas, com nossa família ou até com eles todos.

Quantas mais pessoas ficarem felizes e satisfeitas com nossa felicidade, mais valor ela vai ter, mais importância vai ter e mais importantes ainda se tornam as pessoas com quem partilhamos esses momentos.

A dica do dia

Como o artigo de hoje já vai longo, não me vou alongar muito mais.

A dica de hoje é extremamente fácil de seguir. Nas vossas vidas, nos vossos momentos de felicidade, seja num simples sorriso que receberam, no dia lindo que possa estar (só isso por vezes até nos põe a alma a sorrir), ou por algo mais vasto como o nascimento de um filho, o concretizar de um sonho, etc, todos esses momentos partilhem-nos com quem puderem, deixem que essas pessoas sintam um pouco da vossa felicidade.

Garanto-vos que no fim, não só vocês vão ficar ainda mais felizes, ainda mais em paz, ainda mais serenos, como as próprias pessoas com quem partilharam esse momento o iram estar.

Se conseguirem isso, experimentam tornar disso uma regra e imaginem que essas pessoas passam a fazer o mesmo com vocês e com outros. Não ficará o nosso pequeno mundo um pouco melhor? Com melhor cara, com melhor espírito, com mais animo e força.

Acho que é uma maneira simples e fácil de melhorar a qualidade da nossa vida e dos que nos rodeiam. Não sejam egoístas, partilhem com o mundo a vossa felicidade.

segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

A ilusão


No seguimento dos artigos anteriores, que se centraram na desilusão, achei por bem também falar da ilusão. O que é a ilusão? Donde vem? Porque vem? Vou dar minha visão a seguir.

A ilusão e a expectativa estão de mãos dadas, como a desilusão e o desapontamento estão. São o reverso da medalha um do outro e quando nos iludimos com algo ou quando criamos expectativas sobre algo ou alguém, naturalmente criámos também a possibilidade de nos desiludirmos, de ficarmos desapontados.

Os cépticos dirão que o 1º erro é nosso, que ao criarmos uma ilusão, estamos a alterar a realidade para aquilo que queremos e naturalmente quando a realidade nos mostra que estamos errados, a expectativa não é concretizada e com isso vem a desilusão, vem o desapontamento.

Considero isso verdade, mas não considero como sendo a verdade suprema da coisa. Poderia alongar-me nisto, mas eventualmente iria falar de algo que já falei anteriormente, mas a verdade é que as ilusões somos nós que a criamos sim, mas por vezes elas são alimentadas por outros, e se as criámos é porque vemos motivos para as criar, se eles são reais ou não isso é outra história, mas o que é certo é que a fonte dessa ilusão tanto pode ser nossa como não.


A fonte da ilusão


Como disse anteriormente pode vir de qualquer lado, em qualquer altura, e em qualquer momento. Por vezes é algo que nós próprio criámos por necessidade, desejo, ambição, carência ou então é algo que a vida nos traz.

Naturalmente quanto mais em baixo estivermos, quanto menos felizes formos, mais fácil é as ilusões aparecerem, pois existe mais por onde melhorar, quer em nós quer na nossa vida, pelo que é uma certeza. Quanto pior estivemos mais depressa nos iludimos com algo.

O que a ilusão nos leva a fazer

Como disse, com a ilusão vem a expectativa. Inerente mente expectativas vão ser criadas e depositadas no objecto da nossa ilusão. Mas não levemos a palavra ilusão à letra. Esta ilusão que falo muitas vezes podemos ser nós a ver algo que não existe a não ser nas nossas mentes, mas noutros casos é algo criado a partir de uma impressão que criámos e depois cabe ao tempo demonstrar se o que vimos é real ou não.

Nem sempre uma ilusão é algo que não existe, uma ilusão é algo que queremos que exista, pode é depois ser algo real ou não. Por isso não pensem que uma ilusão é apenas um mito, magia e nada mais.

O perigo da ilusão

Uma ilusão se deixarmos que tome conta de nós, pode tornar-se perigosa. Tudo depende da ilusão que é. Se for uma pequena os danos que pode causar são menores, mas se for grande, se as expectativas que depois criámos são grandes, o potencial que tem em nos fazer mal aumenta exponencialmente, de acordo com o grandeza da ilusão e o tempo que a mantemos.

É importante procurarmos determinar as razões que nos levaram a criar aquela expectativa, procurar saber se são razões válidas e evitar deixar-nos levar por ela. Sermos nós a controlar e não ela a nós.

Se isso acontecer e se a menosprezarmos, no que toca ao potencial que tem em nos criar problemas, isso poderá ser fatal.

Dica do dia


A ilusão é um tema que é difícil de falar por si só, pois vem sempre associado à desilusão.

Todos temos o direito de sonhar, de querer mais e melhor para nós e para isso precisámos da ilusão. Temos que assumir e interiorizar o facto de que a ilusão pode ter tanto de bom como de mau.

Por isso não deixem que as desilusões vos retirem a capacidade de quererem mais, de criarem expectativas, apenas usem essas experiências para melhor controlarem a ilusão, e para não deixar que elas se apoderem de vocês.

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

E quando somos nós a desiludir alguém


Já falei de quando alguém nos desilude, na desilusão em si e agora falta a 3ª parte disto. E quando somos nós a desiludir alguém? Como é que é a coisa?

Facto! Somos todos imperfeitos.
Facto! Todos possuímos a capacidade de fazer o bem e a capacidade de fazer o mal.

Tenho em mente estes 2 factos, todos nós corremos em qualquer altura da nossa vida, o risco de desiludir alguém ou de ser desiludido por alguém.

Já falei de quando nos desiludem a nós e hoje vou falar um pouco de quando somos nós a desiludir alguém.

Eu como ser completamente imperfeito que sou já estive nos 2 lados da coisa, já desiludi e já fui desiludido e não poucas vezes perguntei-me "o que é pior? Magoar ou ser magoado? Desiludir ou ser desiludido?". A verdade é que não encontrei uma resposta concreta e acredito que qualquer um de nós possa ter uma opinião diferente.

A verdade é que o rol de sensações, sentimentos, pensamentos que experimentámos quando desiludimos alguém são diferentes dos que temos quando somos desiludidos por alguém. Pode haver semelhanças como é óbvio entre ambos, mas no geral são as diferenças entre ambos que predominam.

O que o desleixe causa

Muitas vezes desiludimos alguém por puro desleixe. Tomámos algo ou alguém como certo, começamos a dar menos valor e sem nos dar-mos conta começamos a menosprezar, a negligenciar e sobretudo a tomar como certo essa pessoa ou essa coisa.

Habituámos-nos a que esteja lá sempre e não pensamos na possibilidade de que o nosso comportamento possa levar a uma desilusão e ao sermos inconscientes adquirimos a capacidade de fazer o mal, e com isso desiludir e desapontar alguém.

Com este comportamento que tanto tem de consciente como de inconsciente, deixamos de estar ao nosso melhor, e com isso quem sofre é quase sempre a pessoa com quem estamos.

Eu isto eu aquilo

Quando metemos a "pata na poça" e quando digo isto é desiludir de uma forma bastante forte alguém, ao ponto de causar danos graves à relação, passamos por uma fase de profunda introspecção em que por norma identificámos tudo aquilo em que falhámos, procurámos de imediato descobrir as razões que nos levaram a fazer aquilo e não menos frequente achamos-nos capazes de fazer tudo e mais alguma coisa por aquele pessoa, mesmo coisas que nunca fizemos.

Nessas horas não tenho quaisquer duvidas de que acreditámos piamente que somos capazes de tudo, que a solução está ali à nossa frente e que só é preciso a outra pessoa dar-nos nova oportunidade.

Separar a uva preta das uvas brancas

É aqui que as pessoas especiais, raras se destacam. Aquelas que por norma cometem um erro apenas uma vez e não mais o cometem de novo. Aquelas que desiludem alguém profundamente, e que fruto desse facto passam por um processo (por vezes) longo e penoso de introspecção e como no fim, saem mais maduras, com uma melhor mentalidade e sobretudo melhores pessoas.

Essas pessoas realmente conseguem mudar e seguir suas vidas com os erros que cometeram bem presentes, e com a capacidade de não os cometer de novo.

O mal é que a maioria das pessoas não é assim. Mudam por uns tempos, mas depois devagar devagarinho voltam ao que eram, ou então voltam para algo ligeiramente melhor do que eram antes, mas longe daquilo que acreditavam piamente que iam ser.

É um fenómeno que acontece todos os dias e é algo que me intriga muito. Eu pessoalmente já passei por estas 2 vertentes, já estive na 2ª e depois na 1ª e uns anos depois voltei à 2ª e depois de volta à 1ª. Gastei bastante tempo a tentar perceber o porquê de sermos assim e francamente a resposta típica que se encontra embora certa, para mim não explica tudo.

Como seres insatisfeitos que somos, queremos sempre mais e mais e quando obtemos o que queremos, mesmo aquilo que lutámos e sonhamos durante anos, quase sempre depois de o ter passámos a querer outra coisa.

Esta razão tem muita verdade nela, mas acho injusto e errado usa-la como razão para este comportamento. Mas o que é certo é que é muito usada e de tão usada que é, é das primeiras coisas que nos vem à cabeça, quando procurámos arranjar razões para o porquê de termos feito aquilo.

A vantagem de termos uma presença forte nas nossas vidas

Na maior parte do tempo, aquilo que temos de melhor está guardado cá dentro. Só se manifesta quando conhecemos aquela pessoa especial. A partir desse momento procurámos dar-lhe nosso melhor, aquilo que temos de melhor, mas a verdade é que depois de termos o que queremos, muitas vezes o desleixe vem e com ele a asneira e com isso a desilusão.

Devemos ser livres o suficiente para sermos nós próprios o tempo todo, mas a verdade é que nestas alturas considero que o medo pode ser uma importante ajuda para quem não é de fiar. Se tivermos medo de perder aquela pessoa, de a desiludir estaremos sempre em bicos de pés, e ai será bem mais difícil desleixarmos-nos e meter-mos a "pata na poça".

O que é certo é que não devíamos precisar de incutir medo nas pessoas, medo que nos percam para evitar que elas nos tomem como certas, se desleixem. Devemos ser sinceros connosco e com elas, com o que sentimos e queremos e se tivermos a certeza do que queremos, não temos motivos para procurar maneiras de evitar desiludir alguém, basta apenas sermos fieis a nós próprios, ao que sentimos e não termos receio de o exprimir nos nossos actos.

Desiludi-a e agora?

Está feito, desiludiu aquela pessoa e agora? Que fazer?

Oxalá houvesse uma receita para isto, que desse sempre certo. Mas não existe, como tudo aqui o que resulta aqui pode já não resultar ali, precisamente porque as pessoas e os momentos são sempre diferentes.

Antes de mais devemos evitar precipitações e se possível pensar bem antes de fazer algo. Temos que procurar perceber porque errámos e se realmente sentirmos arrependimento só temos que, baseado naquilo que conhecemos da pessoa que desiludimos, escolher a melhor maneira de demonstrar esse arrependimento.

Consoante o que fizemos, será preciso mais ou menos paciência, mais ou menos perseverança, mas na verdade o que devemos fazer e podemos fazer é assumir que erramos, procurar perceber porque erramos e se realmente nos sentimos arrependidos, tomar providências para que não voltemos a cometer esse erro, sejamos ou não perdoados pela pessoa que desiludimos. Este considero ser o 1º passo.

O 2º passo acaba por ser o demonstrar desse arrependimento e fazer tudo o que achámos que devemos e podemos fazer a essa pessoa, tendo o cuidado de nos mentalizarmos que podemos não ser perdoados ou que as coisas podem não ser mais o que eram.

A teoria é esta, mas como bem sabemos da teoria à prática às vezes vai meio mundo de distância.

Há muita coisa que podemos fazer para evitar a asneira, que depende só de nós, depois de a fazermos podemos e devemos fazer o minimo, mas o resto cabe à outra pessoa. Se erramos devemos aceitar as consequências do erro que cometémos.

Dica do dia

Como já disse a desilusão é um assunto extremamente vasto e muita coisa pode ser dita e feita, mas a verdade é que no fim há sempre 2 lados. Quem desiludiu e quem desiludiu e às vezes o que mais nos pode ajudar é pormos-nos no lado da outra pessoa e procurar ver o que se passou pelo lado dessa pessoa. Quem sabe em alguma situações isso nos ajudará a entender melhor as coisas e com isso superar a desilusão.

Nos casos que não der, o que podemos fazer é procurar aprender com a lição que a vida nos deu e evitar repeti-la.

Não é necessário meter o pé na poça de água, para saber que nos vai molhar os pés.. É uma verdade que muitas vezes negligenciamos, o ser humano por defeito complica as coisas mais do que deveria.

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

O que é a desilusão


Ontem escrevi sobre quando alguém nos desilude. Como me parece um tema muito vasto, decidi dedicar algum tempo a isto, explorando-o em algumas das suas vertentes. Hoje vou falar sobre a desilusão em si.

O que é a desilusão?

Tudo o que vou dizer vou sempre falar na perspectiva de nós para os outros, mas tudo é válido ao contrário obviamente.

Acredito que a desilusão é um fenómeno humano, que pressupõe algo ou alguém (podemos ser nós próprios) que em qualquer altura da vida nos faz ver que nos enganámos sobre ela, que aquilo que acreditávamos dela afinal não ser verdade.

Claro que depois existe também a história da ilusão, mas essa já falei um pouco no artigo anterior e conto falar proximamente, pelo que não pretendo hoje ir por ai.

Quer queiramos ou não, é pelas desilusões que adquirimos a capacidade ou se quisermos desenvolvemos a capacidade de suportar melhor as perdas, as desilusões e com esse desenvolvimento, podemos criar mecanismos que nos ajudem a melhor enfrenta-las, o que não quer dizer que o façamos, sobretudo quando não aprendemos a lição.

Quando nos apaixonámos por alguém, somos invadidos por um rol de emoções, sentimentos, sensações que nos toldam a realidade. Não me interpretem mal, é óptimo estarmos apaixonados, mas é uma fase que tem um prazo de vida limitado.

Quando nos apaixonámos somos brindados com um rol de ilusões, esperanças e expectativas que literalmente tomam conta de nós e nos põe bem lá em cima.

Mas e quando nos desiludimos com o que antes nos iludiu?

Ai sentimos-nos quase como bebés que procuram a mamã para protecção, procuramos consolo, alguém que nos limpe as lágrimas, que nos acalme, que nos ajude a suportar a dor, a mágoa, a ansiedade, que nos tire o medo e apazigue a alma.

O mal começa a surgir aqui. Tem uns que são mais fortes, mais duros, cujos momentos maus menos o afectam, mas tem como contra-partida quiçá, serem mais frios, insensíveis. Por outro tem aqueles mais frágeis emocionalmente, os extremistas digamos, dão mais de si a alguém mas também sofrem mais quando alguém os magoa.

Tal e qual como uma boa casa, se a base é boa e forte, conseguimos sobreviver. E com essa base forte, vem a confiança, e com a confiança vem a força e a coragem que necessitámos para suportar a desilusão, para retirar dela o que é preciso retirar e que nos faz ultrapassa-la e em pouco tempo estarmos de novo a procurar novas ilusões, novos sonhos, novas fantasias se bem que quase sempre com um pequeno senão.
Nossas expectativas vão diminuir e vamos ficando mais realistas, começamos a ambicionar menos, começamos a querer coisas mais fáceis e mais passiveis de serem realizadas.

Mas uma coisa é certa, é pela dor que sentimos, pelas desilusões que passámos que embora duras e sofridas, nos tornámos mais fortes. E cabe a nós aceitar e receber esse fortalecimento, mas também impedir que nos torne piores pessoas do que éramos, que nos torne mais parecidos com quem nos desiludiu e que nos faça ficar mais frios, maus duros, mais insensíveis, enfim piores pessoas.

Mas não tenha duvidas, é esta confiança forte embora básica, que nos permite ir mais além, que nos permite arriscar e que nos destaca e demarca daqueles a quem falta a coragem para serem felizes, para se sentirem realizados. Esses temem, fogem, escondem-se, com o receio de nova desilusão.

E muitas vezes essa coragem que nos falta, nós por nós próprios temos alturas que não a conseguimos obter, tem que ser alguém a injecta-la, a tirar-nos o receio, o medo.

Nós respeitámos e amamos pessoas, amigos, família, pessoas que de algum modo marcaram nossas vidas, disseram presente a nós, e por a vida ser fértil em pessoas que depois nos deixam, que mudam o que eram para nós e connosco ou vice-versa, que nos leva a esquecer que em alguns casos é o nosso egoísmo, o nosso desejo de mudar as coisas para algo confortável para nós, que no fim vai causar nossa própria desilusão. Nem sempre a desilusão parte do outro, muitas vezes começa em nós mesmos.

Quando o retorno do nosso investimento não compensa

Acontece a todos nós, damos tudo o que temos a algo ou alguém, dedicamos-nos de corpo e alma em prol de algo e mais dia menos dia nós ou alguém nos desilude. Deixa de ser o que era, deixámos de ser o que erámos.

Porque acontece isso? A razão está algures no meio e muitas vezes começa em algo pequeno, e sem nos darmos conta vai aumentando de importância, e quando nos damos conta, aquela pessoa deixou de ser o que era para nós, e nossa atitude para com ela vai mudar e no fim todo esto comportamento gera desilusão, desapontamento.

Quando temos que crescer

Enquanto novos sonhamos tudo e sobre tudo, sentimos-nos capazes de conquistar o mundo, mas depois aos poucos a vida mostra-nos que nem sempre é assim e que se calhar não vamos ter ou ser tudo o que queremos, muitas vezes isso acontecemos.

Com o tempo, devagar devagarinho começamos a perder a ingenuidade que nos faz acreditar que tudo é possível, que nos faz pensar eu consigo isto, eu vou ter aquilo.

Mas a vida não vê ninguém, é clara como a água, com o tempo esquecemos as fantasias, os sonhos e com o tempo acontece o pecado capital. Começamos a dar só importância às coisas más, começamos a dar só valor às coisas más e pum, tornámos-nos pessimistas.
Podemos ter 1000 coisas boas e 10 más, se estivermos numa má altura podem ter a certeza que quase sempre iremos pensar nas más e não nas boas, e as boas por mais boas que sejam de nada nos valem.
Nota: Friso que digo isto no geral, obviamente (e ainda bem) existem excepções.

No entanto, acredito que a desilusão por mais desoladora que possa ser, traz também a verdade, a verdade da vida e é também com ela que crescemos, que amadurecemos.

Dica do dia

Hoje não há dica, porque não há receita para a desilusão, é algo que nos atormenta enquanto não nos acomodarmos às coisas, e mais ainda nestes tempos difíceis que vivemos.

Desiludirmos alguém ou sermos desiludido por alguém tem todas as razões e mais algumas para ser algo mau, para ser algo que queremos a todo o custo não viver, não passar mas quando nos atinge, quando acontece a nós, com o tempo, pode contribuir para que fiquemos mais fortes, mais resistentes e que nos ajuda a crescer e amadurecer. É caso para dizer "há males que vem por bem".

Saber viver segundo Guerdjef

Vale o que vale, mas hoje ao pesquisar na Internet descobri esta tese que achei interessante, tem conteúdos que concordo mais e outros menos, mas tem sobretudo uma visão interessante e simplista das coisas.
Decidi partilhar com vocês.

Tese de um pensador russo chamado Guerdjef, que no inicio do século passado já falava em auto-conhecimento e na importância de saber viver.
Dizia ele: “Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que realmente vale como principal”
Assim sendo ele traçou 20 regras que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.
Dizem os “experts” em comportamento, que já conseguir assimilar 10 delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade interior. Ei-las:

1) Faça pausas de 10 minutos a cada 2 horas de trabalho. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes.
2) Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.
3) Planeie seu dia, sim, mas deixe um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.
4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.
5) Esqueça de uma vez por todos que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso tudo lhe desagrade, tudo anda sem a sua actuação, a não ser você mesmo.
6) Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimonias.
7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom sendo de pedir às pessoas certas.
8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.
9) Tente descobrir o prazer de fatos quotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a se conseguir na vida.
10) Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a acção.
11) Família não é você. Está junto de você. Compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.
12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.
13) É preciso ter sempre alguém em quem se possa confiar e falar abertamente num raio de 100 kms. Não adianta estar mais longe.
14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância subtil de uma saída discreta.
15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é óptimo..para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.
17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.
18) Uma hora de intenso prazer substitui horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.
19) Não abandone suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!
20) E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente:
Você é o que se fizer ser!

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

As desilusões - Como superar?


Já não escrevo nada neste blog vai para 2 meses e meios. Passei por bastantes problemas que me fizeram ficar sem cabeça para escrever. Como passei uma fase difícil e como muitas pessoas que me são próximas também estão a passar por fases em alguns casos extremamente complicadas, decidi escrever sobre isso.

Existe todo o tipo de desilusões. Podem ser do foro amoroso, numa amizade, com a família, com o trabalho, connosco próprios, com o mundo, com a vida, enfim muitas coisas podem nos desiludir..

É um tema extremamente vasto, muita coisa pode ser dita e estou longe de ter o dom da palavra e saber a ciência toda, no entanto como é algo por que todos nós passamos, parece-me ser um tema que pode servir a muitos de nós.

Creio que a vida percorre os extremos..o 8 e o 80..sendo que a maior parte das pessoas..com o tempo ficam algures no meio sem grandes fogachos.

No que toca ao tema, acredito que todos passámos por fases de grande entusiasmo e por fases de profunda desilusão. Em algumas ocasiões da vida andamos nas nuvens, bem lá em cima, mas se calhar de um modo mais frequente andámos mais lá em baixo, tristes, desiludidos com algo.

Nas alturas que estamos lá em cima, tudo corre maravilhosamente bem, sentimos-nos muito bem, enquanto nas outras alturas, no período negro da vida, podemos chegar a um ponto em que só nos apetece fugir..fugir do mundo..da vida..do que nos desilude..e só voltar quando tudo estiver bem novamente.

Mas a verdade é que quando somos novos, tudo é diferente, tudo é novo para nós e obviamente custa mais, e com o tempo, com as experiências, devíamos aprender a não nos deixar levar em demasia pelo entusiasmo, termos consciência que essas fases não duram para sempre, que duram pouco na verdade..mas o que é certo é que nunca aprendemos verdadeiramente a lição.

Como humanos que somos, temos sempre ambição por mais e melhor para nós e para os nossos. Quando ambicionámos algo colocamos sempre muitas esperanças, que no fim nos vamos sentir fortes, realizados, completos.

Que acontece quando conseguimos o que queremos?

Na minha opinião quando conseguimos algo que ambicionámos, que desejámos, uma de duas coisas acontece.

O medo de perder o que conquistámos, que nos volte a acontecer o que aconteceu no passado, que nos aconteça o que aconteceu aquela pessoa..e antes de nos darmos conta aquele pequeno receio torna-se num medo gigante.

Depois com o tempo, outra coisa acontece de forma quase sistemática. Aos poucos, devagar devagarinho, aquilo que conquistámos começa a perder seu encanto, sua importância e acabamos por negligenciar a conquista, desvaloriza-la e por fim acabámos por a tomar como certa. E isto obviamente traz consequências que podem vir a ser extremamente desagradáveis.

Depois vem a desilusão e com a desilusão vem o desejo de voltar a amar, voltar a ter aquele emprego, voltar a ter a amizade que tínhamos, voltar a ter o carro como era dantes, voltar a ter a figura que tínhamos e com isso tudo volta a ilusão.

Acho que muitas vezes nos desiludimos por culpa própria, porque nos deixámos levar, porque nos deixamos iludir. Uma ilusão não é mais que uma distorção da realidade, consiste basicamente em esconder a verdade, distorce-la para que se torne algo que nós queiramos que seja, e de maneira nenhuma isso a torna verdade, se o fizer será mera coincidência.

Temos que ser realistas, salvo raras excepções (aquelas que por norma acontecem a todos menos a nós), vivemos num mundo imperfeito, somos imperfeitos e quem nos rodeia é imperfeito.

Na verdade nenhuma pessoa, nem nada do que lidámos diariamente nos pode satisfazer plenamente o nosso desejo de felicidade, de beleza, de conquista. Em primeiro lugar porque ninguém é perfeito, e depois porque a ilusão tem um período de vida curto, em pouco tempo caímos na realidade.

Todos envelhecemos, engordamos, mudamos, e nada nem ninguém pode alterar isso, dai nos iludirmos facilmente, dai quando não obtemos o que procurámos aqui, acabamos virando para outro lado sempre na perspectiva de ali encontrar o que procuramos . Acaba por ser mais forte que nós, não conseguimos evitar.

Esta foi a minha perspectiva da desilusão quando somos nós que no fundo a causámos.

E quando são os outros que nos desiludem?

Oxalá tivesse a poção mágica para isto. Infelizmente não tenho.

Qualquer pessoa tem a capacidade de fazer o bem e o mal. Não importa que faça o bem a vida toda, continua a ter a capacidade de fazer o mal. Que o venha a fazer é improvável é certo, mas ninguém nos garante que não o venha a fazer.

Sejamos realistas, na vida a única coisa certa é a morte, tudo o resto é passível de acontecer e quem não pensa assim está a iludir-se.

Como disse acima podemos ser desiludidos pelo nosso marido, namorada, amigo, companheiro, familiar, colega, clube, empresa e por ai fora.

Tal e qual como não existem duas pessoas iguais, também é impossível duas pessoas reagirem do mesmo modo perante a mesma desilusão. Uns reagem melhor, outros pior.

Uma coisa que acho que ajuda é o factor distracção, mantermos-nos ocupados, quando mais o fizermos menos pensamos na desilusão e mais tempo deixámos passar e o tempo é muito importante.

Sim não se enganem, as desilusões, aquelas grandes e fortes que nos deitam completamente abaixo não desaparecem da noite para o dia, às vezes demoram meses e anos ou até nunca a passar e no que toca a isso, não podemos fazer planos, é procurar ultrapassa-la dia a dia, sabendo que não há dias iguais e que vamos passar pior nuns dias e melhor noutros.

O tempo tudo cura mas e quando é lento de mais?

Todos nós já ouvimos isto "tem calma isso com o tempo passa", se calhar também já o dissemos, mas quando toca a nós tal facto não nos parece ajudar em nada, queremos uma solução rápida, instantânea, mas ela não existe.

Para mim a melhor maneira de ultrapassar uma desilusão é enfrenta-la, deixa-la fazer o que tem a fazer e procurar aprender com o que passámos. Soluções rápidas não existem e não se iludam com remendos rápidos, pode ajudar na hora e por uns tempos, mas quando se derem conta a desilusão continua lá e vai-nos apanhar desprevenidos, o dano poderá ser pior.

O poder dos amigos

Os amigos, os verdadeiros amigos são a melhor coisa do mundo. Estão sempre lá nos bons e maus momentos por isso contem com eles, com o seu apoio, a sua ajuda.
Desabafar ajuda, chorar ajuda, um abraço faz maravilhas.

Como quando uma pessoa próxima morre, também aqui existe um período de luto, quanto maior a desilusão maior a mágoa, a dor, a tristeza e quem admite ou pensa o contrário está lá está errado.

Tenham o vosso período de luto, mas apenas e só o tempo necessário, quando sentirem que o pior está a passar é altura de levantarem a cabeça e retomarem a vossa vida com toda a força e trazendo na bagagem o que aprenderam e façam questão de nunca esquecer o que aprenderem, o que sofreram e quem vos ajudou.

Muitos de nós quando estamos mal sentimos que somos capazes de tudo e mais alguma coisa, mas depois quando estamos bem não nos lembrámos nem de metade, desleixámos-nos e mais dia menos dia pagámos por isso.

Lá está não se iludam, mantenham-se reais, autênticos, sinceros.

Dica do dia

Como disse este é um temo que dá muito falar e como também disse, não existe receita mágica. Todos nós lidamos com a desilusão de modo diferente, mas acreditem a maioria acaba passando e sentindo as mesmas coisas, pelo que no geral muito do que se pode fazer pode servir a mais que uma pessoa.

Sejam sinceros sobretudo com vocês próprios e não se iludam, não procurem soluções fáceis porque elas não existem, é uma covardia e certamente não é isso que querem para vocês.

Procurem manter-se ocupados, procurem apoio, procurem ombro amigo e não tenham medo ou vergonha de sofrer, faz parte da vida e ajuda-nos a crescer, a amadurecer e a dar mais valor ao que temos de bom.

Quando apanhámos uma grande desilusão pensámos que pior não pode haver e isso acaba sendo verdade, se a desilusão, a dor, a mágoa que sentem é como nunca sentiram antes na vida, podem acreditar que estão a bater no fundo, mas pensem assim, do fundo não passam, pelo que o único caminho a seguir é para cima.

Como todos os artigos que faço, este está longe de esta completo, conto com o tempo melhora-lo quem sabe com a sua opinião.