sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Tempos de crise


Estamos a viver uma das maiores crises de que há memória, com repercussões a uma escala global e que está a afectar todas as classes sociais, embora (claro) mais sentida ao nível das classes mais baixas. Como todo o mundo estou a sentir essa crise, estou preocupado e como tal aqui vai o próximo artigo.

É opinião da maioria que a crise começou nos EUA. Não possuo (minimamente) conhecimentos de causa suficientes para poder dizer “para mim isto tudo começou por..”, pelo que o máximo que posso fazer é falar do que li e tirar minhas ilações que como é óbvio são 100% subjectivas.

Na minha perfeita ignorância, sempre pensei que era o petróleo que mandava, que no fundo tinha a capacidade de melhorar ou piorar as coisas e na verdade foi por ai que as coisas começaram a piorar. Depois quando os preços do petróleo começaram a descer “porreiro” disse eu, convencido que com o decréscimo dos preços do barril do petróleo, as coisas iam melhorar.

No entanto quase logo a seguir veio a crise no sector imobiliário nos EUA e por fim a crise nos 3 grandes, a Ford, a GM e a Chrysler. Durante uns meses essa crise limitou-se ao mercado norte-americano, mas rapidamente espalhou-se pelo mundo fora e atingiu tudo e todos.

Até finais do 2º semestre de 2008, as coisas estavam a correr bem no mundo automóvel , quer para as marcas quer para os fornecedores directos e indirectos. No entanto logo a seguir a Agosto, a crise rebentou e descidas vertiginosas foram registadas em todo o lado, com os efeitos que se conhecem.

Sempre me impressionou como é que marcas que vinham vivendo um período (de alguns anos) sempre a registar aumentos nas vendas, nos lucros, tenham em poucos meses (em alguns casos estamos a falar de decréscimo na ordem dos 40% ao nível das vendas) sentido tanto a crise ao ponto de não puderem continuar com a task force que tinham. Vieram os despedimentos em massa, redução das horas de trabalho semanal, tudo com o objectivo de diminuir a produção e com isso os custos.

Mal entrou em funções o presidente Obama começou desde logo a demonstrar que vai ser um presidente completamente diferente. Foi disponibilizado para os acima mencionados 3 grandes da industria automóvel norte-americana, 25 mil milhões de dólares dinheiro esse que pelos vistos não chega minimamente para o que dizem ser necessário (mais vem a caminho).

Ao constatar tal facto, é impossível não ficar admirado com tudo isto. Como conseguiram chegar a este ponto após anos de aumentos contínuos nas vendas e lucros?

Sinais de mudança

Esta semana decorreu em Londres uma reunião com os G20, no sentido de criar estratégias globais que permitam combater os efeitos da crise e debela-la o mais rápido possível.

Como é óbvio as atenções estavam centradas num homem e pelo que pude apurar (nas minhas leituras em alguns sites), Obama realmente causou boa impressão, mostrando um trato muito afável e simples, grande humildade e um espírito aberto de alguém que considera seu pais apenas uma fatia (embora bem grande) do bolo e não o bolo quase todo (sendo os restantes países as migalhas).

Obama com um grande realismo, admitiu a sua menor experiência no que toca a estes assuntos (por comparação com outros) e que esperava aprender com seus colegas. Isso para mim constituiu uma agradável surpresa, que confirmou que temos alguém diferente (para melhor) à frente do pais mais poderoso do mundo.

Combater a crise

Quando era muito novo lembro-me uma altura de ouvir alguém queixar-se da vida, da falta de dinheiro e de dizer a essa pessoa algo do género “porque é que os bancos não fazem mais dinheiro e dão às pessoas?”. Se formos a pensar nisto de forma simples, é a melhor solução possível e de longe a mais fácil, mas só passível de ser pensada pela inocência própria de uma criança.

Obviamente a solução é bem mais complexa do que isso e não se augura nada fácil. Existe uma grande crise de confiança generalizada, com os contribuintes receosos de investir por temerem pelo seu emprego.

Parte da solução passa por aumentar essa confiança, e por aumentar o poder de compra das pessoas, mas é mais fácil falar do que fazer.

No nosso caso vemos o governo a disponibilizar fundos para ajudar algumas empresas (lamentavelmente quase sempre as ditas grandes, ignorando as pequenas e médias empresas) no sentido de as ajudar. Pergunto-me porque é que não usaram esse dinheiro antes, para aumentar o poder de compra dos portugueses (através do aumento do salário mínimo de uma forma significativa).

É impossível entender como é que sendo um dos países com menor poder de compra, tenhamos mesmo assim um custo de vida tão alto como temos. Não sou economista mas realmente é inconcebível que assim seja.

A nossa vizinha Espanha fez isso mesmo na 1ª metade dos anos 90, com os resultados que se conhecem.


Dica do dia


Que dica poderia eu dar que vocês já não saibam? Rigorosamente nenhuma! Estamos mais que habituados a ter nossos bolsos vazios e a fazer autênticos milagres. Ainda no outro dia em conversa com uma colega que esteve na Austrália, fiquei a saber que lá ganha-se muito mais (quando um português cá ganha 500€ lá ganha-se cerca de 1500€)e tudo é bem mais barato (casas, habitações e por ai fora). Achei engraçado ela a relatar os colegas lá a queixarem-se que as coisas estão difíceis.

Obviamente um emprego perdido é um emprego perdido em qualquer canto do mundo, mas viver num pais onde se ganha muito mais e gasta-se menos e ter a situação que nós temos no nosso pequeno pais, acho que se fosse ao contrário iríamos sentir apenas ligeiras cócegas.

Por isso que fazer? É aguentar e sobreviver como sempre fizemos e esperar por dias melhores.

Nota: Tudo o que foi acima escrito teve como base artigos que li em jornais, na Internet ou mesmo fruto de conversas casuais. Gostaria de frisar novamente que não possuo formação nem conhecimentos para emitir minha opinião de uma forma sustentada, pelo que tudo o que leram é factual e 100 subjectivo. Se por acaso tiver dito alguma asneira aceitem minhas desculpas.

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