segunda-feira, 6 de Abril de 2009


Marley e Eu

Recentemente fui ao cinema ver o filme Marley e Eu, e acabou saindo um filme extremamente interessante e bom de ver, com 2/3 mensagens a reter.

Pequeno resumo


O filme baseado num livro com o mesmo titulo conta a história de Jenny e John, um casal recém casado, vivendo o início apaixonado de sua vida conjugal. Ambos são escritores de jornal, mas com sucessos diferentes, enquanto Jenny é uma critica de cinema de grande sucesso, John escreve apenas sobre noticias locais.

Este casal tinha algumas coisas em comum, como terem tido cachorros de grande porte na sua infância, gostarem os dois de Bob Marley e claro terem um grande amor um pelo outro.

A uma dada altura, para adiar por mais uns tempos a questão de terem filhos, John oferece a Jenny um cachorro (raça labrador). De uma ninhada é escolhido o mais pacato, que de pacato acaba por não ter nada.

John decide dar o nome Marley ao cão. Marley ra um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava-se todo por cima das visitas, roubava roupa interior feminina e abocanhava tudo a que pudesse deitar o dente, de nada valendo os tranquilizantes receitados pelo veterinário.

Achando que conseguiram com sucesso tomar conta de Marley decidem ter um filho.
Não foi preciso muito tempo para que Jenny viesse a engravidar. O início da gestação correu bem, mas na quinta semana, durante os primeiros testes se descobriu que o feto estava morto.

Marley foi uma importante ajuda nesta altura, mas acabou sendo adestrado, por decisão do casal, visto que não havia maneira de acalmar a genica de Marley. Tudo foi tentado, até levar Marley para uma escola de boas maneiras, sem sucesso pois Marley foi expulso (uma das cenas mais hilariantes do filme) da escola.

Entretanto o casal decide tentar novamente ter um filho, mas desta vez o sucesso demora a chegar e com o trabalho no jornal, o stress de tentar ter novo filho, a tarefa gigantesca de cuidar de Marley acabam por ser demais para o casal e o casamento começa a sofrer com isso. Ai, John decide tirar umas férias com Jenny e acaba tudo correndo bem, pois Jenny volta grávida e o casal melhor que nunca.

Desta vez tudo corre bem, e Patrick nasce para alegria do casal. O único receio do casal é que Marley rejeite Patrick, mas tal não acontece e imediatamente Marley aceita Patrick muito bem.

No que toca ao trabalho Jenny era muito mais bem sucedida, e John apenas atinge o sucesso quando começa a escrever crónicas à volta de Marley. John tinha um grande amigo colega de faculdade, que optou por se dedicar por completo à carreira, tendo enorme sucesso nisso.

Com o desenrolar da história mais 2 filhos acabam por surgir e ai, com 3 filhos para criar, misturado com as constantes asneiras que Marley apronta, a relação entre o casal começa a deteriorar-se de forma drástica, com constantes discussões em que Jenny diz ser ela a fazer tudo, e que John faz pouco (pois após ter o 1º filho, Jenny decidiu abandonar seu trabalho e dedicar-se por completo à família, enquanto John fazia sucesso com sua coluna no jornal), apesar de tal não ser verdade, pois John esforça-se como pode.

Durante uns anos, quando chegava a casa, John ficava 5 minutos dentro do carro antes de entrar em casa, no fundo a lamentar-se da vida que acabou tendo. Enquanto o seu melhor amigo, aparece nos jornais com as melhores histórias, ao ponto de ser contratado por New York Times,John sente por um lado um vazio por não estar no lugar do seu amigo, a ter a vida e sucesso que este tem.

Posteriormente, John recebe um convite extremamente interessante de um grande jornal, convite esse que não aceita pela família. Mas Jenny decide apoiar seu marido e a família acaba mudando para a uma cidade, onde John terá oportunidade de ser o repórter que sempre quis ser, mas sem sucesso. Habituado à escrita de colunas, John não consegue adaptar-se ao tipo de escrita necessário para um repórter, enquanto a nível pessoal as coisas verdadeiramente melhoram.

Mas a história principal centra-se em Marley. Marley sempre foi um autêntico desastre, daqueles cães que destruía tudo o que aparecia à frente, mas independentemente disso era amado pela família que o acolheu, no entanto na pior altura, na altura em que Jenny e John estavam a passar uma enorme crise no seu casamento, Marley foi apontado como culpado ao ponto de Jenny fazer um ultimato a John.. ou ela ou Marley.

No entanto isso acaba por não acontecer e Marley continuou na família. Os filhos deste casal simplesmente amavam o cão e com o tempo a passar, Marley foi ficando velho e o filme acaba tendo um final extremamente emocionante e triste, com Marley a morrer de velhice.

As mensagens do filme


Como disse o filme acaba passando algumas mensagens, que tentarei falar a seguir.

A 1ª tem a ver com as escolhas que fazemos na vida, e as consequências que estas têm. John e seu melhor amigo (não me lembro mesmo do nome da personagem no filme) tiraram o curso de jornalistas na mesma altura, foram colegas e ambos partilhavam o mesmo sonho, serem repórteres de sucesso num dos maiores jornais do mundo.

Mas enquanto o melhor amigo de John seguiu seu rumo e tornou-se um repórter de grande sucesso, John casou-se cedo, teve 3 filhos e acabou tendo uma vida completamente diferente da que sonhou ter.

A 2ª mensagem tem a ver com Jenny. Apesar de ser extremamente bem sucedida no seu trabalho, após ter o 1º filho, decide largar tudo e dedicar-se completamente à família e aos seus filhos. A dada altura com filhos para cuidar, marido ausente em trabalho e as constantes asneiras de Marley, Jenny perde-se. Constata que deixou de ser a mulher que era, e que deixaram para trás coisas que eram boas para os dois, e o casamento acaba por sofrer um pouco por isso, mas sem grande mal, pois sobrevivem a isso e saiam mais fortes enquanto familia.

Por fim Marley. O filme acaba com uma descrição fenomenal do que é ter um animal de estimação como Marley nas nossas vidas, fala de coisas que nós tomamos como certas e nem nos apercebemos.

Não consigo lembrar-me de tudo o que foi dito, mas houve coisas que jamais esquecerei. Estejamos nós bem ou mal o Marley (ou qualquer outro animal de estimação) está sempre lá, sempre ao nosso lado, sempre pronto para brincar connosco, para nos fazer companhia, para nos dar conforto naqueles dias mais difíceis e para brincar quando nos estamos bem e felizes. Está sempre ali, aconteça o que acontecer.

Não quer saber se somos altos, baixos, gordos, magros, bonitos, feios, bem sucedidos, mal sucedidos, não interessa como somos ou quem somos, Marley estará sempre lá aconteça o que acontecer.
E isto acaba sendo uma verdade muito forte, que nós nem nos apercebemos.

Eu identifiquei estas 3 mensagens no filme, e neste caso todas elas têm uma coisa em comum, Marley. Marley esteve sempre lá e apesar de todas as asneiras que aprontou (e acreditem foram muitas, o cão era mesmo um desastre), Marley para Jenny, John e seus filhos era o melhor cão do mundo.

Outras ilações que podemos tirar

A mensagem principal tem a ver com Marley, mas as outras também são importantes. Para a maioria de nós, a vida acaba nunca sendo aquilo que imaginámos ou sonhamos. Tomámos opções, fazemos escolhas que acabam por nos desviar por completo daquilo que queríamos, e quando nos damos conta anos passaram e vemos-nos a ter (em muitos casos) uma vida igual a tantos outros e acabámos por sentir esse facto e não reagir bem, como Jenny e John demonstraram.

Mas depois se formos a ver e embora tenhamos acabado por não ter aquilo que pensávamos querer, em muitos casos aquilo que temos a nossa volta, é muito mais e melhor do que poderíamos imaginar. Podemos não ter o sucesso que sempre ambicionamos, ou ter o estilo de vida que queríamos e por ai fora, mas se calhar..se calhar..aquilo que temos vale mais, muito mais do que qualquer outra coisa e reparámos que não temos dado valor nenhum a isso, a tal velha história de tomar algo ou alguém como certo.

Podemos ver isto pelo Marley, Marley esteve sempre lá, esteve em todos os momentos da vida de Jenny e John enquanto marido e mulher, mas o tempo não perdoa e Marley envelheceu e acabou por morrer.

A dica do dia


Nem todos gostámos de animais, mas para os que gostam lembrem-se do que disse à bocado, do que eles são e fazem por nós e tentemos ser um pouco como eles nas nossas vidas, quem sabe assim ficaremos melhores pessoas, melhores pais, melhores filhos, melhores amigos, melhores companheiros.

A vida passa tão depressa que quando nos damos conta anos passaram, e muita coisa se perdeu, porque estamos sempre à espera de mais e melhor e não damos valor ao que temos, nem vivemos/gozámos devidamente.

2 comentários:

Alexandra disse...

Olá Mauro,

li o livro e não cheguei ao fim porque percebi no que ia acabar, nem irei ver o filme pela mesma razão. Já me bastaram 1 companheira e 1 companheiro que perdi.

Pelo que descreveste o filme não se afasta muito do livro, embora este elabore uma explicação perfeitamente cientifica para o comportamento do Marley.

Quanto ao livro posso dizer que foi dos pouquíssimos que me fizeram rir às gargalhadas. Esse Marley foi mesmo um cão fantástico!

Quanto a esses belos companheiros, podes crer que captaste muito bem a mensagem. ELES estão sempre lá! Em tds os momentos e não esperam nada em troca. Simplesmente limitam-se a acompanhar-nos e a dar-nos toda a sua atenção. Têm uma comunicação e compreensão fantásticas e no fim... deixam um vazio enorme.

Gostei de te ler :)

Mauro disse...

Olá Alexandra.

Antes de mais obrigado pelo comentário. Sim este companheiros são do melhor que há, estão sempre lá aconteça o que acontecer.

Eu pessoalmente já vou na 2ª companheira e posso dizer que embora não se compare ao Marley, não fica muito longe..é a alegria da casa :)

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