sábado, 28 de Fevereiro de 2009

A felicidade só é real quando é partilhada


O titulo para o artigo de hoje veio de um novo filme, realizado pelo Sean Penn de nome "O lado selvagem". Ainda não vi o filme e adorava ler o livro que levou o Sean Penn a querer fazer o filme, mas vi um programa onde ele foi entrevistado, assim como o actor principal, o autor do livro e uma irmã da personagem retratada no filme (o livro e o filme são baseados 100% em factos reais, eu diria na história de uma vida de um jovem americano). Embora sem ter ainda visto o filme, fiquei com a impressão que a chave do filme, a mensagem que nos quer fazer passar é o titulo do artigo de hoje. E com isto vi o tema para o artigo que vou falar a seguir.

Na 1ª parte do artigo irei falar um pouco do filme, da história e na 2ª parte irei dar minha visão do tema de hoje.

Into the wild

Como disse este filme realizado por Sean Penn e tendo como actor principal (e praticamente único no filme, visto que em quase todas as cenas o actor está sozinho, apenas com a companhia do autocarro que usou durante a viagem toda) Emile Hirsch, foi baseado totalmente numa história verídica baseada num "bestseller" literário de Jon Krakauer.

Fala de um jovem americano de nome Christopher McCandless, que após se graduar na Universidade de Emory em 1992, estudante de topo e grande atleta, com perspectivas futuras extremamente boas, decide abandonar tudo e todos, doar todas as poupanças que tinha feito (cerca de 24 mil dólares) `caridade, e partir para uma viagem até ao Alasca.

Durante essa viagem, McCandless vai encontrando uma série de personagens que acabam dando forma e sentido à sua própria vida.

Durante a sua viagem ele deambula por muitos sítios, chegando a passar pelo México. Os meios de transporte foram os típicos nestas situações. Tanto ia a pé, como à boleia e até mesmo de canoa e limitava-se a sobreviver com o que ia arranjando em empregos temporários que iam aparecendo.

Era uma pessoa desconfiada do mundo e das pessoas, pelo que optava por evitar contactos prolongados com elas, evitava deixar-se afeiçoar a elas em parte fruto das influências que obteve nas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau.

Sua ambição e aquele que era o seu grande objectivo nesta viagem, era chegar ao Alasca, local onde iria poder estar bem longe do homem e em comunhão consigo próprio e com a natureza, no seu estado mais puro e selvagem.

Uma das características mais marcantes deste jovem era o facto de ele não querer e não ligar minimamente ao que as pessoas pudessem pensar dele. Para ele só a opinião que ele próprio tinha contava, característica que eu nunca encontrei em mais ninguém, o que por si só o destaca do homem comum.

Mas o mais estranho é que mesmo tendo este objectivo, McCandless era uma pessoa simpática e afável para as pessoas que encontrava, apenas não se deixava estar muito tempo no mesmo sitio e lá está não se deixava afeiçoar a ninguém. Apesar de ser um jovem cheio de força, tinha também o seu quê de triste.


A mensagem de Hircsh


Existe uma mensagem forte neste filme, para além daquela que acima mencionei. Á medida que as coisas evoluem, vamos-nos deixando infectar pelo comodismo, por aquilo que eu chamo de "confort zone". Deixámos de lutar pelas coisas, de optar pela via mais difícil, e limitamos-nos a fazer o mínimo possível, evitando assim sair da zona de conforto.

O grande feito de McCandless nesta sua aventura, é que ele abomina completamente essa zona de conforto, acha que a vida é muito mais que isso, e dai ter optado por este viagem, tendo o cuidado de não planear rigorosamente nada. Ele não levou um mapa, ele não levou dinheiro, ele simplesmente sabia qual era o objectivo final e a aventura seria como chegar lá e descobrir essa resposta à medida que a viagem se fosse desenrolando.

Ele considerava que se soubesse como ia lá chegar, se tomasse providências no sentido de ter mais hipóteses de chegar lá, que já não seria uma aventura. No fim foi isso que acabou por levar à sua morte, mas a mensagem que deixa é muito forte.

É uma daquelas histórias que para mim nos faz ficar melhores pessoas, mesmo que por pouco tempo, que nos faz pensar nos nossos problemas, naquilo que nos apoquenta e que nos faz ver que afinal aquilo de que nos queixámos não é tão mau ou tão grave assim, que nos faz descer à terra.

No nosso dia a dia e com o passar deles, quase que entrámos em modo automático, fazemos basicamente as mesmas coisas, semana após semana e como nem nos lembrámos de parar, de dar um passo atrás e respirar, pensar, analisar o que estamos a fazer entrámos naquela "confort zone" e nem nos apercebemos disso.

Recomendo vivamente ver este filme, eu mal possa é o que irei fazer.


A felicidade só é real quando é parilhada

No fim de uma história destas, sentimos-nos melhor, damos mais valor às pessoas que nos são especiais e no que toca a felicidade, para que este seja real, precisámos de ter com quem a partilhar.

Todos nós queremos ser felizes, apenas varia aquilo que nos faz feliz, isso nem vale a pena ser objecto de discussão. Cada um de nós tem a sua própria definição de felicidade.

Tanto pode ser em pequenas coisas como em grandes, o importante no meio disso tudo, é ter com quem partilhar essa felicidade. As sensações que essa partilha traz, por vezes são mais vastas e fortes que a felicidade em si, porque temos alguém que fica feliz por nós, que goza connosco esses momentos, que nos faz dar valor a esse estado de espírito e ao que foi feito, ao que foi conquistado e que nos faz dar graças por termos com quem a partilhar, e por vemos alguém feliz por nós.

Ao dizer isto não estou a falar em partilhar nossos momentos de felicidade com uma pessoa apenas, claro que não. Pode ser com nosso companheiro/a, com nossos amigos, com nossos colegas, com nossa família ou até com eles todos.

Quantas mais pessoas ficarem felizes e satisfeitas com nossa felicidade, mais valor ela vai ter, mais importância vai ter e mais importantes ainda se tornam as pessoas com quem partilhamos esses momentos.

A dica do dia

Como o artigo de hoje já vai longo, não me vou alongar muito mais.

A dica de hoje é extremamente fácil de seguir. Nas vossas vidas, nos vossos momentos de felicidade, seja num simples sorriso que receberam, no dia lindo que possa estar (só isso por vezes até nos põe a alma a sorrir), ou por algo mais vasto como o nascimento de um filho, o concretizar de um sonho, etc, todos esses momentos partilhem-nos com quem puderem, deixem que essas pessoas sintam um pouco da vossa felicidade.

Garanto-vos que no fim, não só vocês vão ficar ainda mais felizes, ainda mais em paz, ainda mais serenos, como as próprias pessoas com quem partilharam esse momento o iram estar.

Se conseguirem isso, experimentam tornar disso uma regra e imaginem que essas pessoas passam a fazer o mesmo com vocês e com outros. Não ficará o nosso pequeno mundo um pouco melhor? Com melhor cara, com melhor espírito, com mais animo e força.

Acho que é uma maneira simples e fácil de melhorar a qualidade da nossa vida e dos que nos rodeiam. Não sejam egoístas, partilhem com o mundo a vossa felicidade.

4 comentários:

cristina disse...

Olá
Apenas me ocorre dizer que.. é lindo...simplesmente lindo...obrigada por partilhares connosco
Cristina

Mauro disse...

Olá Cristina

Sim é lindo..assim como a vida o é..na sua essência..

Obrigado e volta sempre.

Alexandra disse...

Mauro, é bastante interessante o teu texto. Não vi o filme de que falas, nem li o livro. Por norma, opto por ler o livro, só posteriormente resolvo se vejo o filme. Mas, se existem temas interessantes este é um deles.

Não tendo lido nem visto o filme, só posso falar da impressão que transmites através da tua descrição.

Ainda que possa existir beleza no filme e que se possam retirar mensagens (qual delas a mais importante pr cd um de nós...)uma das que tiro é que esta personagem é, por si só, uma pessoa cheia de conflitos e inseguranças. Só dessa forma poderá não querer manter ligações duradouras com ninguém. Com isto não significa que não fosse uma pessoa afável no trato. Outra das questões que me leva a ter esta postura é que, quem segue um objectivo sem ter um minímo de planificação, vivendo portanto "à deriva" tem normalmente uma postura passiva, quase roçando o desencanto. Daí que não me seja estranha a sua morte.

"A felicidade só é real quando é partilhada"

Tens toda a razão. Se pensarmos que a nossa alegria/felicidade transborda para fora de nós, ela só terá sentido se partilhada. Qd tal não pode acontece, não somos mais que uma sombra!

Obrigado pela partilha e tem um óptimo Domingo.

Gostei muito!

Mauro disse...

Olá Alexandra.

Aquilo que eu escrevi é baseado naquilo que apreendi da entrevista que vi, o que por si só limita bastante as coisas. Só mesmo vendo o filme e sobretudo lendo o livro é que se poderia ter uma opinião mais fundamentada.

No entanto a ideia com que fiquei é diferente da que tu apontaste, mas como disse anteriormente nada como ler o livro e ver o filme para termos uma opinião fundamentada e não baseada nas impressões que retirei da entrevista que vi, que como é óbvio são muito subjectivas.

Mas a imagem com que fiquei é de alguém que é bastante diferente do que estamos habituados a lidar diariamente, o que por si só justifica uma olhadela pelo livro e/ou filme.

No que toca ao tema deste artigo não podia concordar mais contigo. Quem contiver e guardar sua felicidade para si, está no fundo a desrespeitar a essência do conceito de felicidade em si, e a estar tudo menos à altura da felicidade que a invadiu.

Obrigado e volta sempre.

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