
Já falei de quando alguém nos desilude, na desilusão em si e agora falta a 3ª parte disto. E quando somos nós a desiludir alguém? Como é que é a coisa?
Facto! Somos todos imperfeitos.
Facto! Todos possuímos a capacidade de fazer o bem e a capacidade de fazer o mal.
Tenho em mente estes 2 factos, todos nós corremos em qualquer altura da nossa vida, o risco de desiludir alguém ou de ser desiludido por alguém.
Já falei de quando nos desiludem a nós e hoje vou falar um pouco de quando somos nós a desiludir alguém.
Eu como ser completamente imperfeito que sou já estive nos 2 lados da coisa, já desiludi e já fui desiludido e não poucas vezes perguntei-me "o que é pior? Magoar ou ser magoado? Desiludir ou ser desiludido?". A verdade é que não encontrei uma resposta concreta e acredito que qualquer um de nós possa ter uma opinião diferente.
A verdade é que o rol de sensações, sentimentos, pensamentos que experimentámos quando desiludimos alguém são diferentes dos que temos quando somos desiludidos por alguém. Pode haver semelhanças como é óbvio entre ambos, mas no geral são as diferenças entre ambos que predominam.
O que o desleixe causa
Muitas vezes desiludimos alguém por puro desleixe. Tomámos algo ou alguém como certo, começamos a dar menos valor e sem nos dar-mos conta começamos a menosprezar, a negligenciar e sobretudo a tomar como certo essa pessoa ou essa coisa.
Habituámos-nos a que esteja lá sempre e não pensamos na possibilidade de que o nosso comportamento possa levar a uma desilusão e ao sermos inconscientes adquirimos a capacidade de fazer o mal, e com isso desiludir e desapontar alguém.
Com este comportamento que tanto tem de consciente como de inconsciente, deixamos de estar ao nosso melhor, e com isso quem sofre é quase sempre a pessoa com quem estamos.
Eu isto eu aquilo
Quando metemos a "pata na poça" e quando digo isto é desiludir de uma forma bastante forte alguém, ao ponto de causar danos graves à relação, passamos por uma fase de profunda introspecção em que por norma identificámos tudo aquilo em que falhámos, procurámos de imediato descobrir as razões que nos levaram a fazer aquilo e não menos frequente achamos-nos capazes de fazer tudo e mais alguma coisa por aquele pessoa, mesmo coisas que nunca fizemos.
Nessas horas não tenho quaisquer duvidas de que acreditámos piamente que somos capazes de tudo, que a solução está ali à nossa frente e que só é preciso a outra pessoa dar-nos nova oportunidade.
Separar a uva preta das uvas brancas
É aqui que as pessoas especiais, raras se destacam. Aquelas que por norma cometem um erro apenas uma vez e não mais o cometem de novo. Aquelas que desiludem alguém profundamente, e que fruto desse facto passam por um processo (por vezes) longo e penoso de introspecção e como no fim, saem mais maduras, com uma melhor mentalidade e sobretudo melhores pessoas.
Essas pessoas realmente conseguem mudar e seguir suas vidas com os erros que cometeram bem presentes, e com a capacidade de não os cometer de novo.
O mal é que a maioria das pessoas não é assim. Mudam por uns tempos, mas depois devagar devagarinho voltam ao que eram, ou então voltam para algo ligeiramente melhor do que eram antes, mas longe daquilo que acreditavam piamente que iam ser.
É um fenómeno que acontece todos os dias e é algo que me intriga muito. Eu pessoalmente já passei por estas 2 vertentes, já estive na 2ª e depois na 1ª e uns anos depois voltei à 2ª e depois de volta à 1ª. Gastei bastante tempo a tentar perceber o porquê de sermos assim e francamente a resposta típica que se encontra embora certa, para mim não explica tudo.
Como seres insatisfeitos que somos, queremos sempre mais e mais e quando obtemos o que queremos, mesmo aquilo que lutámos e sonhamos durante anos, quase sempre depois de o ter passámos a querer outra coisa.
Esta razão tem muita verdade nela, mas acho injusto e errado usa-la como razão para este comportamento. Mas o que é certo é que é muito usada e de tão usada que é, é das primeiras coisas que nos vem à cabeça, quando procurámos arranjar razões para o porquê de termos feito aquilo.
A vantagem de termos uma presença forte nas nossas vidas
Na maior parte do tempo, aquilo que temos de melhor está guardado cá dentro. Só se manifesta quando conhecemos aquela pessoa especial. A partir desse momento procurámos dar-lhe nosso melhor, aquilo que temos de melhor, mas a verdade é que depois de termos o que queremos, muitas vezes o desleixe vem e com ele a asneira e com isso a desilusão.
Devemos ser livres o suficiente para sermos nós próprios o tempo todo, mas a verdade é que nestas alturas considero que o medo pode ser uma importante ajuda para quem não é de fiar. Se tivermos medo de perder aquela pessoa, de a desiludir estaremos sempre em bicos de pés, e ai será bem mais difícil desleixarmos-nos e meter-mos a "pata na poça".
O que é certo é que não devíamos precisar de incutir medo nas pessoas, medo que nos percam para evitar que elas nos tomem como certas, se desleixem. Devemos ser sinceros connosco e com elas, com o que sentimos e queremos e se tivermos a certeza do que queremos, não temos motivos para procurar maneiras de evitar desiludir alguém, basta apenas sermos fieis a nós próprios, ao que sentimos e não termos receio de o exprimir nos nossos actos.
Desiludi-a e agora?
Está feito, desiludiu aquela pessoa e agora? Que fazer?
Oxalá houvesse uma receita para isto, que desse sempre certo. Mas não existe, como tudo aqui o que resulta aqui pode já não resultar ali, precisamente porque as pessoas e os momentos são sempre diferentes.
Antes de mais devemos evitar precipitações e se possível pensar bem antes de fazer algo. Temos que procurar perceber porque errámos e se realmente sentirmos arrependimento só temos que, baseado naquilo que conhecemos da pessoa que desiludimos, escolher a melhor maneira de demonstrar esse arrependimento.
Consoante o que fizemos, será preciso mais ou menos paciência, mais ou menos perseverança, mas na verdade o que devemos fazer e podemos fazer é assumir que erramos, procurar perceber porque erramos e se realmente nos sentimos arrependidos, tomar providências para que não voltemos a cometer esse erro, sejamos ou não perdoados pela pessoa que desiludimos. Este considero ser o 1º passo.
O 2º passo acaba por ser o demonstrar desse arrependimento e fazer tudo o que achámos que devemos e podemos fazer a essa pessoa, tendo o cuidado de nos mentalizarmos que podemos não ser perdoados ou que as coisas podem não ser mais o que eram.
A teoria é esta, mas como bem sabemos da teoria à prática às vezes vai meio mundo de distância.
Há muita coisa que podemos fazer para evitar a asneira, que depende só de nós, depois de a fazermos podemos e devemos fazer o minimo, mas o resto cabe à outra pessoa. Se erramos devemos aceitar as consequências do erro que cometémos.
Dica do dia
Como já disse a desilusão é um assunto extremamente vasto e muita coisa pode ser dita e feita, mas a verdade é que no fim há sempre 2 lados. Quem desiludiu e quem desiludiu e às vezes o que mais nos pode ajudar é pormos-nos no lado da outra pessoa e procurar ver o que se passou pelo lado dessa pessoa. Quem sabe em alguma situações isso nos ajudará a entender melhor as coisas e com isso superar a desilusão.
Nos casos que não der, o que podemos fazer é procurar aprender com a lição que a vida nos deu e evitar repeti-la.
Não é necessário meter o pé na poça de água, para saber que nos vai molhar os pés.. É uma verdade que muitas vezes negligenciamos, o ser humano por defeito complica as coisas mais do que deveria.
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Há 10 horas

1 comentários:
muito boa atua reflexão...
ab
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